terça-feira, 28 de julho de 2009

TIGRES

Na sequência dos "pratosecaixas", compus este trabalho num prato de vidro.

Quis recordar um habitante da selva que muito admiro: o tigre.
É caçador noturno, elegante, ágil, rápido (as presas nem se apercebem da sua aproximação) e, para que não o aborreçam prefere viver isolado.

Uma unha sua traz sorte, um dente faz não sei o quê, o pó dos ossos tem poderes curativos, para não falar na sua pele. Tudo isto tão cobiçado pelo homem que, ao lhe promover uma caçada feroz, as selvas que ainda existirem num futuro não muito distante, deixarão de poder ouvir o seu bramido em noites de luar.

Infelizmente, há subespécies já completamente extintas.

terça-feira, 21 de julho de 2009

A TELHA




O vento soprava de sueste.

As nuvens brancas e cinzentas não deixavam ver o azul do céu. A pressão exercida sobre a minha cabeça fazia-me "estar com a telha".


Isolei-me aqui, no "Atelier" e, algum tempo depois, não sei quanto, tinha feito a "noite" e o "dia", dois trabalhos em telhas.


Quando acabei, já o vento se tinha acalmado e uma brisa suave fazia dançar as longas folhas da palmeira.


O Sol começava a impor a sua força e calor sobre as nuvens que foram obrigadas a se afastarem para o astro rei passar.

A minha fronte já não latejava e saí para ver o mar, aqui tão perto.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

O nosso Infante

Para assinalar a colocação da estátua do nosso infante, no jardim de todos nós, aqui em Sagres, conforme já publicitei no Jardim d'abrolhos, peguei na tesoura, num prato de vidro, pincel e tinta e eis a obra.

Assim, homenageei, eu também, esta figura evocada por poetas e historiadores, cheia de protagonismo no sec.XV e que tem perdurado pelos séculos fora, como símbolo da vontade e do querer das gentes lusas.

sábado, 4 de julho de 2009

Mundo Louco


A hipótese tem sido colocada várias vezes.

Quais as vantagens de estar algum tempo, numa ilha deserta, SÓ!!!!!!

O que levaria comigo?

O desejo de me isolar, de estar só e meditar.

A partir daqui, poria em prática a minha imaginação para sobreviver.


-Não teria que aturar gente chata.

-Não ouviria gritos nem berrarias

-Dormiria quando tivesse sono, fosse noite ou fosse dia, sem obrigação de horários.

-Aproveitaria para pôr em prática uma dieta rigorosa para perder alguns quilos que estão a mais em locais onde não devem (certamente haveria fruta na ilha)

-Não me debateria com o problema de não ter nada para vestir: folhas não faltariam para me cobrirem. E, à noite......

-Poderia estar a olhar para as estrelas todo o tempo que me apetecesse sem que estivessem sempre a chamar-me.
E, no fim do meu isolamento nessa tal ilha, nasceria, talvez.uma vontade louca de lá continuar.
Não ouviria falar em guerras nem em pessoas que morrem à fome, não saberia de crianças raptadas, maltratadas, usadas; mulheres violadas, violentadas, espezinhadas pelos seus semelhantes; não saberia de aviões que caiem, sem se saber porquê, roubando a vida a filhos, pais, amigos de gente que ficará destroçada infinitamente nem teria conhecimento de gente que por pôr o pé no chão errado, fica estropiado ou mesmo sem vida.

Mas não! Não quero viver numa ilha isolada.

Quero sim, viver neste mundo louco e puder dar o meu contibuto para que ele seja um pouquinho menos louco, em cada dia que passa.
imagem da net