domingo, 29 de março de 2009

POBREZA

Coberta pelo manto preto da tristeza, tu apareces.
No princípio, apareces-nos vacilante, com o rosto coberto de branco, vagarosamente aproximas-te nos teus transparentes trajes negros.

A transparência só nos revela escuridão pois, a pobreza não tem rosto. È só corpo e mãos que nos agarram e apertam, primeiramente com subtileza, quase como um aconchego. Muitas vezes, nem damos pelo teu terrífico enlace que pouco a pouco se vai apertando até não pudermos escapar ao amplexo fatal.
Somos, então, atirados para a valeta duma vida vazia, sem que tenhamos já força para sacudir o pó dos andrajos da pobreza, acabando por aí, sucumbir.
Que és tu que abraças quem te não quer, que arrastas pela lama quem pousou no ramo mais alto da árvore mais alta e observava o mundo a seus pés?
Que és tu, pobreza, que transformas em monstros, vidas que nasceram inocentes e puras?
Porque continuas a avançar tomando para ti tantos milhões de pessoas? Até 2015 está previsto que te pertençam 420 milhões pois actualmente já contas no teu activo cerca de 307 milhões.
PÁRA!!
Não continues o teu percurso silencioso e corrosivo, ora invisível, ora ostensivo.
Peço-te, não continues o teu reinado. É tempo de abdicares a favor dos três Ps: PÃO, PAZ, PROSPERIDADE.

Diversas fotos sobre este tema poderão ser vistas no PPP.

quarta-feira, 18 de março de 2009

NADA

Sou sonho, quimera

Onda que se desfaz em espuma

Bola de sabão colorida.

Sou nuvem ao sabor do vento

Arco iris após a chuva.

NADA


sexta-feira, 13 de março de 2009

Fios

Enquanto as mãos tecem o casaco de lã, o espírito vagueia em lembranças longínquas.
Uma malha, uma laçada, mais um mate, não pode haver distracção neste mata aqui, laça acolá, para que o motivo pretendido fique perfeito.
As mãos seguram as agulhas, o fio passa no gancho preso ao ombro da camisola e o dedo sempre pronto para dar a laçada na malha certa e as lembranças de tempos idos, teimosamente a me quererem distrair.
Hoje não, tenho de acabar esta manga!
Amanhã, talvez…..me deixe enlaçar nos fios das minhas recordações.

terça-feira, 3 de março de 2009

NAVEGAR



Esta foi a foto que enviei para aqui subordinada ao tema NAVEGAR.

A mente pode levar-nos a navegar por caminhos inexplorados, por mares e abismos tenebrosos, mas também por paraísos de doces encantos, onde as musas nos enlaçam com amorosas e perfumadas grinaldas floridas.



Quando o fogo da tristeza nos queima como um ferro em brasa, somos capazes de navegar nas profundezas infernais do desespero.
Balouçamos em agonia numa navegação sem timoneiro, sem leme nem bússola, completamente desgovernados e assim sucumbiremos em qualquer ilha ou areal deserto.

Com uma navegação suave, sentiremos as delicias de grandes amores, mesmo que leves brisas agitem mansamente as velas desfraldadas do veleiro da nossa paixão.
Poderá acontecer também que, de quando em vez, um sopro de vento mais forte rasgue o velame, que as sereias com os seus cantares ponham em perigo a tripulação, mas navegaremos firmes e chegaremos sempre a bom porto se "o homem que vai ao leme não tremer".

Esta é uma parte da firme tripulação do barco fotografado a navegar com vento forte..