
Duas mãos que se entrelaçam.
Olhos nos olhos profundos a querer desvendar a profundeza dos sentires.
- Que tens feito?
E esta interrogação é um convite ao abrir do coração, ao dizer das tristezas passadas, da nostalgia, da ausência.
A comoção é forte, invade o ambiente impedindo-a de exprimir o seu sentir:
“- Nada! As saudades têm sido muitas e… sabes… não estou habituada a ficar assim…só… tanto tempo. Desorientei-me. Não fui capaz de me concentrar nos meus afazeres rotineiros. Perdi-me nas horas e nos momentos únicos de solidão.
E os dias que eram longos e demoravam a acabar eram seguidos pelas noites, intermináveis, passadas sozinha, na longa cama, fria”.
Mas não foi capaz de abrir a alma, de dizer dos seus sentimentos, de fazê-lo viver, mesmo por um momento, a tristeza de estar só, como a sua ausência tornara o seu quotidiano tão vazio.
Precisava dos seus abraços para poder apreciar o Sol e a vida; das suas carícias e beijos para que o seu corpo vibrasse plenamente: de sentir a sua respiração, suave como a brisa beijando as flores.
Retirou as mãos ainda aprisionadas e exclamou com ar despreocupado, escondendo por trás dos óculos escuros, duas lágrimas de comoção:
-Ora, o tempo passa sem darmos por isso e a rotina continuou na tua ausência.
Vivi.