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quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Um sol no ocaso



As pernas que foram ágeis e elegantes, hoje, já não conseguem subir a colina das quimeras mas, os braços, mesmo fracos, ainda aconchegam e apertam aqueles que ama.
As mãos, outrora finas e brancas, conservam a macieza da seda das suas blusas fora do tempo e mostram agora alguns pontos coloridos pela vida, como a querer lembrar as carícias que ficaram por fazer. Já não bordam nem acariciam o teclado do piano mas, com ternura, afagam o Tareco, seu companheiro de pelo macio.


Todas as manhãs, vejo-a, com o seu corpo frágil, passar vagarosamente na minha rua e os meus olhos entristecem, pois sei que, em breve, partirá voando numas asas brancas deixando para trás muitos sonhos não vividos que, para sempre, ficarão nas profundezas dos lagos verdes dos seus olhos

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Mulher



Duas mãos que se entrelaçam.
Olhos nos olhos profundos a querer desvendar a profundeza dos sentires.
- Que tens feito?
E esta interrogação é um convite ao abrir do coração, ao dizer das tristezas passadas, da nostalgia, da ausência.
A comoção é forte, invade o ambiente impedindo-a de exprimir o seu sentir:
“- Nada! As saudades têm sido muitas e… sabes… não estou habituada a ficar assim…só… tanto tempo. Desorientei-me. Não fui capaz de me concentrar nos meus afazeres rotineiros. Perdi-me nas horas e nos momentos únicos de solidão.
E os dias que eram longos e demoravam a acabar eram seguidos pelas noites, intermináveis, passadas sozinha, na longa cama, fria”.

Mas não foi capaz de abrir a alma, de dizer dos seus sentimentos, de fazê-lo viver, mesmo por um momento, a tristeza de estar só, como a sua ausência tornara o seu quotidiano tão vazio.
Precisava dos seus abraços para poder apreciar o Sol e a vida; das suas carícias e beijos para que o seu corpo vibrasse plenamente: de sentir a sua respiração, suave como a brisa beijando as flores.

Retirou as mãos ainda aprisionadas e exclamou com ar despreocupado, escondendo por trás dos óculos escuros, duas lágrimas de comoção:

-Ora, o tempo passa sem darmos por isso e a rotina continuou na tua ausência.
Vivi.

terça-feira, 29 de abril de 2008

MAGIA




Quando eu estiver triste,
Dá-me um livro de figuras para ver.

Quando eu estiver triste,
Segura-me na mão esquerda, onde brilha o símbolo da nossa união e beija-me as pontas dos dedos.
Enlaça-me em teus braços e leva-me a rodopiar aquela valsa especial feita de recordações.
Aninha-me no teu peito e sentirás o meu coração bater junto ao teu e ao olhar no fundo dos teus olhos eu possa ver ainda o fogo da tua paixão.
Sussura-me baixinho ao ouvido as palavras mágicas que só tu sabes dizer e deixa que o encanto do momento me faça entontecer.





Porque nesse instante o mundo parará e eu direi, então





que o sol brilhe,
que as aves voltem ao ninho,
que os rios cantem e as flores riam,


porque nós dois somos um só e a vida é da cor do arco íris.