Mostrar mensagens com a etiqueta solidão. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta solidão. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Um sol no ocaso



As pernas que foram ágeis e elegantes, hoje, já não conseguem subir a colina das quimeras mas, os braços, mesmo fracos, ainda aconchegam e apertam aqueles que ama.
As mãos, outrora finas e brancas, conservam a macieza da seda das suas blusas fora do tempo e mostram agora alguns pontos coloridos pela vida, como a querer lembrar as carícias que ficaram por fazer. Já não bordam nem acariciam o teclado do piano mas, com ternura, afagam o Tareco, seu companheiro de pelo macio.


Todas as manhãs, vejo-a, com o seu corpo frágil, passar vagarosamente na minha rua e os meus olhos entristecem, pois sei que, em breve, partirá voando numas asas brancas deixando para trás muitos sonhos não vividos que, para sempre, ficarão nas profundezas dos lagos verdes dos seus olhos

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

De Cá Para Lá

click to comment

Com o meu pensamento abro a porta que me fechaste. Abro-a ou derrubo-a? Transponho-a e rapidamente passo de cá para lá.
Não raras vezes, o lá é melhor que o cá mas, adoro saltar e brincar e, assim vou desfrutando do prazer de viver mesmo que me feches a porta que teimosamente quero aberta.
Quando estou lá, quero vir para cá, mas lá o espaço é enorme, grande demais e tornou-se agora vazio.Por isso imediatamente me domina uma vontade imensa de regressar.
Regressar?
Correr sem fim pelo jardim que me criaste, saltar e fazer piruetas no ar, brincar às escondidas sabendo que me vais encontrar num abrir e fechar de olhos, mas enfim regressar. E sei, que ao fechar a porta do meu pensamento, neste silêncio que me criaste posso ouvir a voz da saudade falar alto, tão alto que chego a recear que a ouças e não compreendas. Não compreendas a saudade que sinto quando estou do lado de cá.
Só!