Recordam-me os meus entes que partiram e que as tratavam com desvelo e carinho. As madeiras eram envernizadas ou enceradas, o seu brilho puxado ao máximo com uma flanela, o caruncho, se aparecia, era imediatamente atacado e tudo durava tempos infinitos.
Neste século em que tudo é feito para usar e deitar fora, noto que alguns jovens apreciam certas peças do "antigamente".
A minha filha, por exemplo, gostou desta cadeira que não tinha tampo mas também não tinha caruncho e pediu-ma.

Depois de ser toda esfregada com água e sabão (o velhinho sabão azul e branco), para lhe retirar todo o pó e restos do verniz antigo, pedi ao carpinteiro para cortar um tampo e decidi dar-lhe uma cara que se enquadrasse no cantinho para onde estava destinada.
Pintei-a e, no novo assento, apliquei, pelo método de découpage, esta estampa que rematei com tachas amarelas.
Aqui está o resultado do meu trabalho e espero que muitas histórias esta velha cadeira ainda ouça e assista a muitas brincadeiras da geração mais nova.
A sua jovem dona gostou e, estou certa, de que a antiga também gostaria.
Assim, com pouco tempo dispendido, consegui satisfazer um pedido e dar vida a um objecto "démodé" tornando novo o que era velho.