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sexta-feira, 17 de abril de 2009

A Redondinha




Foram uns dias alucinantes.


Corre daqui, corre por ali, chutada, pontapeada, atirada ao ar, cabeçeada, afagada e pisada.
Eram oito pés a me maltratarem, às vezes mais. Perdi a noção qual o lado dos ganhadores pois, pertencia a todos e, não pertencia a nenhum. Todos me queriam e todos me chutavam ora na relva ora no empedrado.
Redondinha, bem cheia, tenho outras manas com outros tamanhos mas igualmente bem redondinhas e cheiinhas, mas que normalmente estão em descanso enquanto eu, coitada, ando num virote.Às vezes atiram-me para onde não devem e causo sofrimento, sem ter culpa.


Dentro do caixote onde nos arrumam, ao fim do dia, ainda há uma prima, um pouco afastada, que não é redonda, digamos que tem o formato de um ovo. Essa não é tão maltratada como eu, pois agarram-na, apertam-na junto ao peito e, depois, correm com ela para a lançarem fora, para o alto, como se ela, coitada, tivesse fogo e queimasse.
Mas, agora, ao fim destes dias, eis-me, enfim, esquecida, atirada por acaso para este tapete verde onde posso, enfim, gozar sossegada, o prazer de uma réstea de sol, pelo menos, até repararem em mim e me arrumarem junto às outras por mais algum tempo.