
Gosto de ler poesia e admiro os poetas que conseguem, com a sua sensibilidade, dar-me uma visão diferente das coisas rotineiras do nosso dia-a-dia.
Aconteceu com este poema da Graciete Bravo, que vou transcrever do seu livro "POEMAS" .
GOTA DE ORVALHO
Ao nascer aquele dia
No jardim, algo acontecia
Debrucei-me para ver
Havia un brilho risonho
Que eu queria entender.
Vi uma rosa orvalhada
Cheiro intenso, cor encarnada.
A gota de orvalho a brilhar
Dava uma beleza sem par
Àquela pétala aveludada
E abria-se num sorriso,
Sua cor vermelha, azulada.
Vento norte fê-la estremecer
Com medo da gota perder.
Grande luta interior travou
O vento norte amainou
Transformando-se em suão
Desfrutou aquela gota
Que acalmou sua paixão
Ficou mais intenso o seu odor
Mais brilhante e viva a sua cor.
Às vezes, muda o vento
E agita o seu sentimento
Fazendo-a sobressaltar
Linda!...aquela rosa vermelha
Que dá gosto contemplar
Na roseira do meu jardim
Exalando perfume sem fim.