sábado, 16 de junho de 2012

Vencedor




"O valor não está no critico, nem naquele que aponta a falha do forte ou mostra de que forma uma pessoa poderia ter feito algo melhor. O crédito pertence àquele que está, de facto, na arena, cujo rosto está marcado pela poeira, pelo suor e pelo sangue, que luta valentemente, que tenta muitas vezes sem alcançar, pois não há esforço sem tentativa e dificuldades, que conhece a verdadeira devoção, que se esgota por uma causa valiosa, e que sabe que, na melhor das hipóteses, conhecerá a alta realização do triunfo, e que, na pior, se fracassar com coragem, o seu lugar jamais será junto das frias e tímidas almas que desconhecem vitória ou derrota."
Theodore Roosevelt


segunda-feira, 11 de junho de 2012

MEMÓRIAS




Bocados de ti, de mim.

Cacos velhos pelo tempo amarelados,

Dispersos, esquecidos nas memórias do viver

Já passado, sem retorno.

Impossível colá-los, refazer o coração quebrado

Falta sempre alguma peça nas lembranças

Amortecidas.

foto e texto de Benó

sábado, 2 de junho de 2012

Pedras



A árvore,  ninho e abrigo de seres alados, deixou que os seus ramos crescessem por sobre aqueles grandes calhaus,  que as suas folhas verdes e frescas os acariciassem e por elas escorressem as lágrimas das noites tristes para os olhos das frias pedras.

São três pedras lisas, sem pontas nem bicos, irmãs concebidas pela mesma mãe natureza, juntas mas não coladas.
Mas há uma outra pedra, mais pequena, lisa, sem volume que parece protegida pelas duas irmãs grandes e volumosas.

As pedras também conversam e discutem e o outro grande calhau afastou-se deixando a protecção da laje de formato diminuto aos cuidados das outras irmãs.

Coração de pedra.


sexta-feira, 18 de maio de 2012

Alentejo diferente






Calma, paz e serenidade nas lagoas de águas serenas, que só, levemente, tremem quando algum pequeno barco lhes rasga o ventre liso e profundo.
Um silêncio líquido acompanha-nos para onde quer que olhemos





As nuvens, farrapos de algodão em vários tons de anil decorando um céu sem fim, mergulham nessas águas e ficamos sem saber se os nossos pés estão assentes na terra ou no ar.
É assim no Alqueva.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Solitário




Com os meus olhos gémeos
Contemplo o por de sol sobre o mar
E o pelicano a dissipar no horizante
Solitário
Vulvando na fusca-fusca
Que será que ele procura?


Poema de  Francisco Conduto de Pina, poeta guineense, no seu livro "O silêncio das gaivotas"
foto de Benó

terça-feira, 17 de abril de 2012

Búzios

foto de Benó

No dourado do areal passeiam-se os amantes dos últimos momentos de luz.

As sombras desaparecem para dar lugar ao vazio.

Ao fim do dia, enquanto o mar se espreguiça vagarosamente por sobre a areia, formando subtis pregas de renda branca, a praia recolhe-se ao silencio permitindo que os longos braços da escuridão a envolvam. A noite vem chegando de mansinho trazendo consigo mil segredos que só os búzios e os apaixonados poderão entender.

As estrelas do mar vaidosas com os seus cinco braços, interrogam-se porque lá no alto aqueles pontinhos luminosos também se chamam estrelas e sonham que um dia, talvez, atiradas por alguma gigantesca vaga, elas possam elevar-se e chegar ao  firmamento  para  piscar os olhos às irmãs que ficaram na praia.

São fantasias de estrelas do mar que enamoradas pelas suas irmãs celestiais permanecem no areal e já não voltarão à água que as trouxe . Na noite escura que as enlaça, terão como companhia os grãos de areia e com eles conversarão até a aurora chegar carregada de longas fitas de algas
Então, a claridade inundará a praia e todos os sonhos, paixões e desejos irão com a maré.

Os búzios fecham a tampa e guardarão todos os segredos que ouviram e, nem mesmo as crianças, quando os encostarem ao ouvido, entenderão os seus sons pois os búzios sabem guardar todos os segredos.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Uma procura






"É muito fácil ser o maior dos amantes, se houver o mar ou a morte de permeio"

de\Teolinda Gersão, na sua obra ------A Cidade de Ulisses, que li e reli.