sábado, 30 de agosto de 2008

As Férias

A alegria chegou e encheu a casa de gargalhadas e correrias; o sol quando a viu, logo irrompeu pelas janelas, pelas frinchas, por portas e clarabóias.Toda a casa ficou a irradiar luz e som.

As gargalhadas, os risos e as correrias faziam-se ouvir, desde que o sol entrava pelos quartos adentro fazendo despertar os mais dorminhocos, até que a lua chegava e convidava a pôr fim às brincadeiras.
Mesmo assim, com o luar de Agosto a criar sombras esguias e mal definidas pelos caminhos do jardim, ainda havia fôlego suficiente para alimentar a coragem de ir à caça dos gambuzinos.
Caminhavam no escuro com todos os seus sentidos em estado de alerta, munidos de lanternas que empunhavam tal como se de espadas se tratasse tal como cavaleiros andantes, prontos para a defesa das suas damas. Levavam a intenção de apanhar uma cesta cheia, dos tão falados gambuzinos que o avô lhes dissera estar o jardim repleto.

Mas os sons da noite oferecem a fantasia que a imaginação infantil cria e, assim, era rápido o percurso e voltavam sempre, com as mãos cheias de nada e com o coração aos pulos dentro dos seus peitos pequeninos, mas fortes e corajosos.


Depois, com os corpos cansados de tanta aventura e o João Pestana a tomar conta das suas vontades, ainda havia força para lutar contra o sono e ouvir a avó ler um bocadinho da história que, de comum acordo, tinham escolhido, para ser lida nestas férias.
As corridas de bicicleta, os passeios pelo campo, o apanhar caracóis, a colheita das amêndoas e tantas outras coisas só possíveis na casa dos avós, ficarão para recordar durante o tempo das aulas e serão motivo para as composições escritas que terão de apresentar como trabalho de casa.
As mochilas já estão prontas para receber os cadernos e os lápis e os pequenos corpos bronzeados prontos para suportar as exigências do novo ano lectivo.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

DIFICULDADE SUPERADA


Eis a minha segunda participação neste 5ºjogo das 12 palavras mas que não fará parte do livro que irá ser editado pela Edium Livreiros.O meu escrito para publicação poderá ser lido no meu outro espaço Jardim d'abrolhos.


Aconselho-vos também, a consultarem os outros textos ricos de imaginação aqui.


E por fim, gostaria de saber a vossa opinião, que desde já agradeço, como sempre.



DIFICULDADE SUPERADA

"Quando li as palavras escolhidas para este jogo, dado os seus sinónimos, assaltou-me a ideia de que iria ter alguma dificuldade em compilar um texto onde elas todas se encaixassem. Havia uma, especialmente, que me provocava um ligeiro franzir de testa.

Assim, peguei na caneta e no bloco de apontamentos e pus-me a escrever o que depois teria um titulo adequado.


Quando à noite o LUAR vinha INUNDAR as ruas da sua aldeia, sentava-se à CONVERSA com o Augusto, seu amigo de longa data, escritor NEFELIBATA com alguns livros já publicados mas que, com as suas excentricidades e fechado como um CASULO, a vizinhança não o tomava muito a sério.
No entanto, gostava de trocar ideias com ele e, muito embora, os assuntos fossem de temas tão VARIAVEIS como a literatura ou a politica, acabava sempre por haver um acordo final amigável.
Sentados nos degraus do adro da igreja, naquela noite enluarada relembravam com saudade a viagem que fizeram naquele comboio a VAPOR e que os levaria para a cidade, imbuídos do sonho de transformar este PAÍS num sitio mais aprazível para viver.
Nesse reviver do passado, citavam o Braune e o Tarzan, dois cães amigos que sempre os acompanhavam nas suas caçadas mas que tornavam num INFERNO a existência dos gatos da vizinhança. Riam com gosto da habilidade que o Braune executava com elegância canina quando, num MOVIMENTO rápido e preciso, com uma elevação na VERTICAL, lhes tirava o cigarro que cada um segurava entre os lábios.



Cheguei a este ponto da minha crónica e fui verificar se as palavras estavam todas aplicadas. Claro que não estavam e faltava-me uma, aquela que me tinha logo parecido de mais difícil aplicação no contexto da minha historieta.
Mas como me iria sair deste desafio?
Uma noite bem dormida, às vezes, ajuda-me a encontrar a solução certa para as dificuldades que se me deparam no meu dia-a-dia e assim, fui dormir.
Acordo, torno a ler e a reler e chego à conclusão de que as personagens do ensaio para esta espécie de história não irão cair no OSTRACISMO de quem me lê.
Tenho ou não tenho razão?"



sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Naquela amena tarde de Julho


Jovens, belas, conversadoras, todas tinham uma discreta elegância realçada pelos trajes ligeiros que vestiam naquela tarde amena de Julho.

O grupo era pequeno e assim, as conversas seriam mais fáceis entre elas, evitando a formação das “ ilhas” que habitualmente se formam de 3 ou 4 elementos convivendo entre si e esquecendo os outros, também convidados para o momento.

Todas se conheciam e, por isso, as apresentações foram dispensadas. Depois dos beijinhos e saudações do costume: “olá como estás, …há tanto tempo que não te via”, “estás elegante!!”….etc., etc. começaram a se espreguiçar pelos “puffs” aleatòriamente colocados no espaço destinado à conversa.

O leitor de Cd’s deixava ouvir Leonard Cohen, como acompanhamento musical ao suave cavaqueio previsto para aquela tarde amena de Julho e, os salgadinhos e docinhos confeccionados pelas mãos habilidosas e bem cuidadas de todas elas, estavam, tentadora e pecaminosamente colocados nos lindos pratos de porcelana pintados à mão, prontos para serem deglutidos pelas bocas gulosas e bem pintadas do pequeno grupo.
A finalidade do "meeting" era conversar sobre banalidades e ouvir música.

A conversa nasceu e alguém mencionou que estava a ler “O meu nome é Legião” e daí veio a discussão sobre o prémio atribuído ao seu autor.
Foi merecido? Não foi merecido?
Pode um escritor, que escreve daquela maneira, ser premiado com o galardão máximo da nossa literatura destinado a premiar os autores que tenham contribuído para o enriquecimento do património literário e cultural da língua portuguesa?

Bem, não era sobre isto que se queria falar, mas sim, sobre coisas sem importância, banalidades.

Das presentes, estava uma candidata à adopção de uma criança e assim, não se podia deixar de falar sobre o caso actual da pequena Esmeralda disputada por dois interesses: um sanguíneo e outro afectivo.
Deverá a menina ficar com o pai biológico ou com o casal que olha por ela e sempre a protegeu?

A piscina convidava a umas braçadas e a um mergulho refrescante.
Já repararam quantas crianças morrem em piscinas e, muitas vezes, com os familiares por perto? Alguém citou.
Mais uma vez as coisas sérias foram lembradas.

Por fim, a poesia apresentou-se dita com sensibilidade suficiente para nos fazer sonhar e meditar e assim deixar o espírito liberto das preocupações familiares e sociais. Não iríamos discutir poesia mas, simplesmente ouvi-la e saboreá-la.

A tarde escorria lentamente entre risos, refrescos e docinhos.
O objectivo tinha sido conseguido. Não se falou de coisas importantes mas ficou no ar a interrogação:
Haverá realmente coisas sem importância?

"Imagem retirada da net"