quinta-feira, 1 de julho de 2010

Amantes


"Os amantes imponderáveis são archotes da matéria na sua frondosa verdura e através da distância perfumada cintilam como as constelações.
Como é magnifica a ébria lucidez do esplendor
e como é alta elástica e incandescente essa torre vermelha
que os dois corpos formam numa coluna do universo!
Uma lua desdobra-se num grande leque branco
enquanto o fogo dança sob os arcos nas grutas efervescentes.
As pálpedras fecham-se para ver melhor as linhas do cristal da nudez revelada com os seus veios e aneis de mercúrio e ouro.
Despenham-se um no outro como violentas dunas
e na vermelha colmeia da amante o tenso peixe explode em constelações de pólen ou em arabescos de fogo.
A doçura queima a seda porejante dos músculos repousados
e os corpos dilatam-se na tranquilidade de uma grande dália de água"


António Ramos Rosa escreveu e eu ilustro o poema com uma imagem da obra de Marc Chgagall "Os Amantes Azuis", retirada da net.



5 comentários:

Justine disse...

Belíssimo, Benó! A frescura e a suavidade neste dia de intenso calor:))
Beijo

O Árabe disse...

Belo conjunto, Benó; belo conjunto! :) Boa semana.

Baby disse...

Mas que bela dissertação de António Ramos Rosa, com uma imagem à altura das palavras.

Beijinhos.

São disse...

Não me agrada Ramos Rosa, mas apreciei muoto o quadro.

Bom fim de semana.

Mauriceia de Matos disse...

Olá flor,

Que linda dissertação !!!
Me tornei sua seguidora.
Que Deus lhes abençoe...abraços.

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