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domingo, 17 de julho de 2011

Insignificâncias



"A minha vida faz~se de pequenas coisas

que não ficarão para a história do planeta,

nem do país

nem da cidade,


pequenas coisas insignificantes que são apenas minhas

pequenas insignificâncias

pequenas coisas de nada

que não mudam o sentido

de todas as outras grandes coisas

nem a sua universal singularidade

a sua verdadeira dimensão de idênticas pequenas coisas


embora essas possam ficar para a história do mundo,

ou do país

ou das cidades


que também se fazem dessas mesmas pequenas coisas

exactamente iguais às minhas"



pela pena de Vieira Calado, do seu livro Poemas soltos & dispersos

imagem de Benó

sábado, 12 de março de 2011

Convite à Poesia

Se puderem, não deixem de estar presentes.
É sempre agradável ouvir a poesia de Graça Pires.
Clicar na imagem para ler melhor.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Amantes


"Os amantes imponderáveis são archotes da matéria na sua frondosa verdura e através da distância perfumada cintilam como as constelações.
Como é magnifica a ébria lucidez do esplendor
e como é alta elástica e incandescente essa torre vermelha
que os dois corpos formam numa coluna do universo!
Uma lua desdobra-se num grande leque branco
enquanto o fogo dança sob os arcos nas grutas efervescentes.
As pálpedras fecham-se para ver melhor as linhas do cristal da nudez revelada com os seus veios e aneis de mercúrio e ouro.
Despenham-se um no outro como violentas dunas
e na vermelha colmeia da amante o tenso peixe explode em constelações de pólen ou em arabescos de fogo.
A doçura queima a seda porejante dos músculos repousados
e os corpos dilatam-se na tranquilidade de uma grande dália de água"


António Ramos Rosa escreveu e eu ilustro o poema com uma imagem da obra de Marc Chgagall "Os Amantes Azuis", retirada da net.



quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Incerteza






Não te amo mais.
Estarei mentindo dizendo que

Ainda te quero como sempre quis.

Tenho certeza que

Nada foi em vão.

Sinto dentro de mim que

Você não significa nada.

Não poderia dizer jamais que

Alimento um grande amor.

Sinto cada vez mais que

Já te esqueci!

E jamais usarei a frase

EU TE AMO!

Sinto, mas tenho que dizer a verdade

É tarde demais...

Este poema, que tanto pode ser lido do príncipio para o fim como do fim para o príncipio ficando com sentidos antagónicos, é atribuído a Drummond de Andrade, mas também já li que poderá ser de Cecília Meireles.

Fiquei na dúvida e por isso não lhe atribuo nenhuma autoria.
Aqui fica só pela graça.

domingo, 22 de junho de 2008

A Poesia


Ouvi (li) há dias, numa destas salas virtuais, onde de tudo se lê e se vê, onde se entra sem ser necessário pedir licença, como: se me permitir voltarei novamente ….pois, o espaço é imenso e cabemos todos, mas dizia eu, assisti (li) a uma troca de ideias sobre POESIA.
As opiniões cruzavam-se, umas doces, suaves, emitidas timidamente, vindas, concerteza, de apaixonados por poesia, talvez de alguém que tem na poesia o seu “amante” e encara este modo de comunicar como parte intrínseca do seu ser, como o plasma necessário ao seu viver, como se a própria pessoa fosse a POESIA.
Outras vinham rápidas e ligeiras como dardos atirados por guerreiros em luta com invisíveis inimigos.
Algumas eram acutilantes.
Eu, pelo menos, senti assim, e não participei no debate.
Os pareceres sucediam-se uns aos outros, num diz-tu-direi-eu interessante de seguir e, com a rapidez própria, de quem está habituado a bater em teclas.
Notava-se calor forte no debate e vontade de fazer valer o seu ponto de vista, de cada um, claro.
Mas, por fim, chegaram à conclusão, os intervenientes na discussão, de que não era assunto para ser debatido numa caixinha de “Comentários”.
Talvez, digo eu, num frente a frente como o “Prós e Contras” se pudesse ficar a saber alguma coisa do tema em questão, embora, naquele programa televisivo, eu fico sempre na mesma, isto é, se dúvidas tinha, com dúvidas fico.
Afinal o que é a POESIA?
Será assunto para ser debatido numa aula de literatura?
Então cabe aos académicos classificá-la. Satírica, épica, erótica, popular?
Onde encontrá-la? Como distingui-la?
Para mim, que sou leiga na matéria, sinto-a nas mais diversas formas. Quando leio, quando observo, quando ouço, no olhar trocado entre um casal de namorados, nos gestos imprecisos dumas mãos de criança e, até na tristeza sentida de quem sofre, na resignação do seu próprio sofrimento.