quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

BRINCADEIRAS


Recebi da Nana de Brasilia o pedido de aceder à brincadeira de citar coisas estranhas que possa ter ou fazer.

Por principio, não sou de alinhar nestas brincadeiras mas em atenção à sua simpatia brasileira vou responder e passar para uns quantos bloguistas cá do burgo.

Embora me considere uma pessoa normalissima, sem manias:


calço sempre a primeira meia no pé direito

não corto as unhas à 6ª.feira

tenho sempre um bloco de notas e muitas canetas dentro da bolsa

colecciono frascos de pefume vazios

só corto o cabelo em quarto crecente


Com amizade vou enviar para:




  1. Judite Pita do Sedas e afins


  2. Zezinha de A Cozinha da Risonha


  3. O Profeta, o melancólico


  4. João de Sousa do Espaço do João


  5. Marcia do Natural naturalmente


Espero que se divirtam.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

O meu prato Imari




Adorei decorar este prato de porcelana branca.
Nem todos os estilos de decoração são do meu agrado para pintar mas, gosto especialmente, daqueles que me obrigam a uma grande atenção e minúcia e onde tenha de usar cores fortes. Os motivos policromados orientais são os meus preferidos para trabalhar especialmente em pratos e jarras.
Publicamente expresso o meu agradecimento ao veneziano Marco Polo por ter trazido através da Rota da Seda as primeiras peças de porcelana para a Europa. Claro que não me vou pôr aqui com divagações históricas sobre o fabrico destas peças, suas características artísticas e técnicas nas suas diversas épocas.
No entanto, este prato que hoje vos mostro decorei-o com um motivo do séc.XIX baseado em têxteis e brocados dentro do estilo japonês Imari.
Imari é uma zona portuária da cidade de Arita, centro de comércio das cerâmicas japonesas .
Quero acrescentar que o estilo Imari caracteriza-se pela sua densidade de motivos sendo as cores predominantes o azul cobalto, o vermelho ferro e o verde.
Posso dar-vos uma ideia, muito sucinta, de como este trabalho de decoração em porcelana foi feito:


1. Transferi o desenho para o prato com papel químico especial.
2. Canetei com caneta e tintas próprias.
3. Foi à mufla a uma temperatura de 780ºC.
4. Pintei os motivos com as cores apropriadas ao estilo.
5. Foi novamente à mufla.
6. Recanetei todo o trabalho e acrescentei mais alguns pormenores
7. Foi à mufla novamente.
8. Apliquei ouro mate..
9. Foi à mufla e depois da peça arrefecida foi polida com polidor próprio para o efeito.



E, assim, depois de ter suportado temperaturas elevadíssimas por quatro vezes, eis o meu prato de porcelana decorado e pronto para ser pendurado na parede da minha sala

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

S.VICENTE


O próximo dia 22 é feriado municipal no Concelho de Vila do Bispo. É dia de S.Vicente, padroeiro do Concelho.
Tentarei numa breve resenha dar-vos a conhecer quem foi S.Vicente.
Nasceu em Huesca, na Espanha romana. Cresceu na sabedoria e piedade, junto do Bispo de Saragoça, Valério. Nos fins do ano 303 o Governador da Tarracorense começou a executar os decretos imperiais dando perseguição aos cristãos onde se incluíram o Bispo Valério e o Diácono Vicente.
Depois de todos os sacrifícios a que foi sujeito para renegar a fé, sucumbiu por fim tendo o seu corpo sido lançado num pântano para que as aves e os animais o devorassem. Tal não veio a suceder, pois um corvo esteve sempre de guarda ao seu corpo. Como começasse a haver muita afluência de fiéis a esse local , o governador mandou, então, que o atirassem ao mar. Mas, o mar devolveu-o a uma praia de Valência onde foi recolhido e sepultado.
A invasão dos muçulmanos obrigou a que as suas relíquias fossem transferidas para o cabo extremo do Algarve, o nosso actual Cabo de S.Vicente, onde foi mandada construir uma igreja que teve o nome de Igreja do Corvo por esta ave ter acompanhado sempre o corpo do Santo. Este lugar tornou-se, então, de grande devoção para as comunidades moçárabes.
S.Vicente é o Santo da cidade de Lisboa para onde as suas relíquias foram mandadas transferir por D.Afonso Henriques em 1173, para a Sé.
Em 1794, foi declarado Padroeiro da Diocese do Algarve.
Para comemorar, portanto, o dia do Padroeiro do nosso município há algumas festividades. Além da música, fogo de artifício, provas desportivas, há também exposições para dar a conhecer os trabalhos dos artistas do concelho.
Poderão ser vistas no Salão de Exposições do Centro Cultural, junto ao Edifício da Câmara Municipal, com o seguinte calendário:

De 19 a 2 de Feverreiro…………Pintura
16 de Fev. a 2 de Março…………Fotografia
8 a 23 de Março………………… . Artes Decorativas
29 de Março a 13 de Abril …… Escultura


Como munícipe participante espero a vossa visita que desde já agradeço.

Compareçam!

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Numa Tarde de Inverno





As chamas consomem devagar os troncos de madeira que cuidadosamente e com uma certa disciplina coloquei na grelha da lareira.


Sento-me no meu sofá preferido e fico a olhar, como que hipnotizada, as labaredas que, numa dança ardente, vão consumindo a matéria nesta doce tarde de Inverno.

No meu regaço pousa um livro à espera de ser lido “ Para a minha irmã”, da Jodi Picoult; ao meu lado a cestinha do “tricot” com uma camisola em meio fazer, mas, sinto-me só e nem a leitura nem os trabalhos manuais me entusiasmam e, assim, fico com o meu olhar perdido nas chamas e o pensamento livre divaga em recordações, em doces lembranças dum tempo recente. O Rom-Rom vem fazer companhia ao livro e aninhar-se no meu colo enquanto começo a ouvir a chuva que cai com alguma intensidade de encontro às vidraças da janela por onde escorre como lágrimas de mulher que perdeu o amor da sua vida.

Uma letargia mole começa a invadir-me mas não quero abandonar-me ao Morfeu que, sempre, teimosamente, vem tomar-me em seus braços por esta hora do dia. Quero continuar desperta para te beijar quando regressares para junto de mim.

Nesta bela tarde de Inverno em que, para ser completa, só a tua presença física falta, sinto que este sentimento que nos une, ainda arde e queima como as chamas desta lareira que me serve de companhia mas cujo fogo não é suficiente para me aquecer.
As mãos que desejam as tuas começam a ficar frias e precisam do teu calor.

Vem depressa!

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Aqui, no barlavento algarvio, a terra tremeu.
Por volta da meia hora de hoje, a minha cadeira abanou, os cães ladraram amedrontados e eu arregalei os olhos de susto.
Momentâneamente fiquei sem saber o que estava a acontecer naquele momento, no começo da madrugada. Mas, ràpidamente tomei contacto com a realidade e apercebi-me de que mais um sismo tinha acontecido. Digo, mais um, pois ùltimamente têm ocorido com alguma frequência embora não sejam sentidos, por nós, simples mortais. Mas, se formos ao site do Inst. de Meteorologia de Portugal lá se encontram bem assinalados muitas bolinhas e algumas delas a piscar.
Este sismo teve o seu epicentro aqui bem perto: a 80 kms.a sudoeste deste Cabo de S.Vicente, de onde se avista este mar sem fim e que só de olhá-lo, quando ele está zangado, todos nós trememos mas admiramos.

"Quem vem poder o que só eu posso
Que moro onde nunca ninguém me visse
E escorro os medos do mar sem fundo?"


"A Mensagem" de Fernando Pessoa

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

CORTAR E COLAR



A “découpage”é uma arte muito antiga pois temos conhecimento de que já era usada pelos camponeses chineses na decoração de janelas, lanternas, caixas, etc..

A rainha Maria Antonieta, e Mme. Pompadour foram as grandes impulsionadoras dos trabalhos de “découpage” na Europa e também grandes nomes da pintura, como Boucher, Watteau, Fragonard e mais recentemente Matisse e Picasso também se renderam ao encanto de recortar e colar.

Na Inglaterra, foi a rainha Victoria que desenvolveu na sua corte este método de, com uma simples tesoura e cola, fazer lindos trabalhos. Podemos encontrar no Museu Britânico espectaculares obras desta arte executadas por Mrs. Mary Delaney, grande amiga do rei George III.

“Découpage” é um termo do nosso século, vindo de França, derivado de “découper” que significa recortar. No entanto, não podemos considerar a “découpage” como um simples acto de recortar e colar pois, para se chegar ao trabalho final, há que estudar a composição do tema, executar um recorte perfeito dos motivos, uma colagem sem bolhas e várias camadas de verniz.

Neste meu trabalho podem ver-se algumas imagens de Sagres aplicadas sobre tela.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Às Quatro da Tarde


Neste cantinho onde moro, aqui, bem na ponta do barlavento algarvio, a luz do Sol tem uma luminosidade muito especial, principalmente, no Outono. Devo dizer que esta é a minha estação preferida.

Quando regresso a casa, a meio dum dia outonal, sou sempre envolvida pela calma dessa hora especial …..às 4 da tarde….
Vibra dentro de mim uma alegria imensa por estar viva, por poder sentir o sol, por ouvir a passarada que ainda se vai mantendo por cá e numa chilreada constante prepara-se para demandar outras paragens, por saber que um lar me espera e onde dois braços amigos me irão apertar carinhosamente.
Então, calmamente apreciarei o meu chá e lembrarei que…


Num dia de Outono…..

Gosto de caminhar na praia e
sentir a areia entre os dedos dos meus pés descalços
… Naquela hora

Gosto das sombras que o sol projecta no pinhal
…. Naquela hora

Gosto de ouvir os pássaros do jardim e de ver o beijar das borboletas
…. Naquela hora

Gosto de ouvir o silencio do teu descanso
…. Naquela hora

Gosto do borburinho do salão de chá, enquanto espero por ti
…. Naquela hora

Gosto!... Gosto!…., Gosto de ser mulher e sentir o coração bater quando te aproximas.
Cheirar o sal no ar quando sopra o sueste
Naquela hora… e em todas as horas deste belo Outono!

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

A MINHA PRIMEIRA ROMÃ


Vou abrir uma romã Dia de Reis!
Juntar-nos-emos à sua volta e comendo os seus bagos festejaremos a VIDA!


Este fruto composto por lindos bagos vermelhos tem como simbologia a ORDEM, RIQUEZA, FECUNDIDADE e, por isso vou comê-la dia 6 deste mês com um pouco de açúcar e vinho do Porto, como todos nós cá em casa gostamos.
Espero que a sorte me proteja e a todos os meus neste ano bissexto de 2008.
Que todos os meus amigos e inimigos sejam felizes com a concretização dos seus desejos.

Tenho várias romãzeiras na horta, mas este ano só uma deu fruto. Só um, único e singelo e sempre que lá passava, junto à pequena árvore, dizia para comigo: “Tenho de apanhar esta romã antes que um vento mais forte a ponha ao chão". Pois a romãzinha lá estava ela sozinha, presa à mãe, corada e balouçando-se ao sabor da nortada e, mesmo com a forte ventania que antecedeu o Natal e as chuvas, manteve-se firme no seu raminho e não caiu, pelo que, decididamente resolvi ir buscá-la para casa. As minhas crianças também já tinham mostrado o seu desejo de provarem o primeiro fruto daquela árvore ainda pequena, pouco mais alta que eles mas com umas flores tão bonitas de cor vermelha e com um fruto tão original.

Transpus a pequena cancela que separa o jardim da horta, munida de uma tesoura e de uma cestinha pequena que a colheita também o iria ser.
Ao avistar a pequena romãzeira reparei, que o vento já tinha feito das suas, pois toda ela já se encontrava despida de folhas, com os seus pequenos braços erguidos ao céu como que a clamar para que o vento invisível, mas persistente, não lhe arrancasse aquele filho que ela gerara e desenvolvera com a protecção da sua folhagem. Mas a minha romã ainda lá se encontrava toda rosada, com a sua coroa bem aberta pendurada para o chão, à minha espera para, duma tesourada certeira e firme, a salvar daquela ventania forte que a ela, como a mim, deixava nervosa e tonta.

Com a tesoura que levava cortei o fruto e coloquei-o dentro da minha cestinha.

Vim para casa, satisfeita pelo contentamento que iria proporcionar às minhas crianças ao verem que o seu pedido tinha sido satisfeito.

Mas, de repente, senti que, no fundo do meu coração, a alegria não era completa pois, lembrei-me dos filhos arrancados às mães, dos braços abertos erguidos ao céu numa súplica muda para o regresso de alguém que partiu sem querer…lembrei-me…lembrei-me.. que apesar de salvar a romãzinha da intempérie, talvez a árvore-mãe não ficasse muito satisfeita por lhe ter roubado o seu filho único.
Para que a vida continue vou guardar uns quantos bagos que semearei e talvez nasça uma nova árvore que baptizarei com o nome de “Rainha”, que depois plantarei junto à romãzeira que este ano me deu este fruto tão bonito. Daqui a uns três ou quatro anos terei o prazer de colher o primeiro filho da árvore por mim plantada neste ano bissexto.


“Abre a romã, mostrando a rubicunda cor,
com que tu , rubi, teu preço perdes…”
Luís Vaz de Camões, Os Lusíadas, IX, 59